quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Crônicas Contemporâneas 2# |

Era um outro dia, e ninguém poderia imaginar tudo o que aconteceria do momento em que o astro rei se levantasse à sua morte no poente.

Acordou sob forte chuva, tão forte que nem os animais ousavam se levantar. O sono, que parecia um gigante de tão forte, quase o mandou de volta aos sonhos, e o teria conseguido, se não fosse por Ela. Ela, que era sua amada mãe, parecia um ser de outro mundo. Acordava cedo, muitas vezes antes mesmo do raiar do Sol, pulava da cama, se arrumava e já começava a gritar pela casa com os cachorros. Saia toda contente para tratar dos bichos, e como havia bicho: tinha cachorro, que só eles já somavam seis, tinha galinha, tinha pintinho, tinha gato, até cabra tinha. Mas como se não bastasse, ainda arrumava jeito de lavar a louça, preparava a mesa e ainda fazia o café...

A guerra havia se intensificado, e estava ficando difícil conseguir passar algum tempo sem ser alvejado. Além disso, com a forte chuva que caia não foi possível sair em busca de comida. Por sorte, conheciam alguns camaradas que levaram alimentos, o que supriu suas necessidades pelo resto do dia. Mas não demorou e logo o aguaceiro passou. O que possibilitou ir até o Centro de Controle Geral. Precisavam buscar alguns itens necessários para continuar exercendo suas atividades. Para isso foram em quatro. A Rainha, pois sem ela não seria possível chegar ao destino final; seu filho, o Oriental, pois já era familiarizado com o ambiente e conhecia a sua rotina; o Homem Forte, pois em caso extremo seria necessário alguém além do Oriental para defender o grupo e garantir o cumprimento da missão; e também o Rapaz, que era o novato e precisava adquirir mais experiência...

Quando chegou a sua casa, e já faziam cerca de cinco dias que não voltava, ele descobriu que o Monstro havia comido outras duas galinhas na noite anterior, e que ainda rondava pela região. Estavam sem energia, pois as chuvas haviam danificado a rede. Enquanto Ela preparava o jantar, ele tratou de pegar sua arma, se preparou e foi até o vizinho mais próximo para saber do paradeiro do Monstro. Mas não haviam visto nada por lá. A surpresa foi quando voltou, pois o maldito estava beirando o terraço da casa. Sacou a arma, apontou e deu-lhe chumbo! Errou por pouco. A criatura era ágil e conseguiu fugir para o meio do mato, a onde se tornava inviável continuar atrás dela. Desistiu da caçada e foi jantar, Ela o estava chamando e perguntando sobre o que acontecera. Algum tempo mais tarde, enquanto balançava numa rede na varanda, apreciando o por do Sol após a chuva, com a arma no colo e os cachorros a sua volta, um parente seu veio fazer-lhe uma visita. Era seu Primo, que após colocarem a conversa em dia, decidiu juntar-se a ele contra o Monstro. Logo após se prepararem e acertarem tudo sobre a caçada, ouviram o ladrar dos cães e foram averiguar. Era quem pensavam, o Monstro. Ele estava rondando o terraço novamente, mas de onde os dois primos estavam não seria uma boa ideia confronta-lo de frente. Voltaram e decidiram se posicionar no quarto, pois de lá teriam uma visão geral do lado do terraço onde estava o maldito. Ao abrirem a janela, lá estava ele, parou alguns segundos e encarou os dois jovens de frente, olhou para eles olhos nos olhos. Ele tinha os olhos negros, e uma pelagem preta, toda desgrenhada, como seria de se esperar de uma criatura selvagem. Mas os dois rapazes também não tardaram, o Primo que estava com a arma e tinha boa mira, apoiou-a no peitoril da janela e disparou duas vezes. O primeiro disparo atingiu-o em cheio, perto da calda. Já o segundo não há como dizer, pois o Monstro já estava a certa distancia e com o breu da noite não tinha como ter certeza se o atingira. Mas uma coisa é certa, o Monstro não tornaria a voltar ali tão cedo...


Natan Celidonio Fernandes.

Louveira.

13.01.2011, 23:07 PM

Nenhum comentário:

Postar um comentário