domingo, 2 de janeiro de 2011

Bicho Homem |

Chegada é a hora de nos irmos. O Sol já vai se por, e namorar o Mar bem de pertinho por alguns minutos. Então tudo se acalma, quando o astro rei vai se deitar, toda a vida também vai. E nem mesmo os predadores se levantam. Todos deitados e serenos.

As águas do rio Grande fazem barulho quando se jogam nas quedas da cachoeira, loucas de alegria pulam para amar as pedras. Os pássaros cantavam baixo as suas canções de ninar aos filhotes. No solo, as minhocas fazem a festa do pijama no sereno.Até os peixinhos que nas águas sonham de olhos bem abertos, e também o terrível bicho homem, até ele dorme. Todos dormem quando a Lua impera.

Mas o império dura pouco, apesar da suprema majestade da Imperatriz, assim que o Sol retorna de seu amor com o Mar, tudo vai voltando de vagar. Volta a ser como era antes do Longo Sono, tudo claro e ativo. Os pássaros cantam de alegria pelo novo dia, enquanto as minhocas voltam a se alimentar no subsolo. Os peixinhos voltam a nadar, e o homem a matar. Mas as águas... Há, as águas nunca param de pular nas pedras. Pois elas estão loucas, estão loucas de amor pelas pedras, que nunca as abandona, estão sempre lá, independente do que aconteça.E também acordou o homem. Que em seu ódio do Sol por ter-lhe interrompido os sonhos, mandou que se fizesse um tampão para acabar com o a luz do Sol, pois assim poderiam sonhar todos os sonhos.

O problema é que o homem, em seu ego cego acabou que não previu tudo, e assim que terminaram o tampão eles caíram todos no sono, pois o trabalho que tiveram para fazê-lo foi desumano. Mas o Sol quando veio foi bloqueado pelo tampão, e desde então nenhum raio de luz percorreu lugar algum desta terra, e nenhuma criatura andou novamente depois de dormir. Foi o sono final, aquele em que ninguém acordou. Nem os homens, e esse foi seu fim. Mortos pelo próprio ego. Cegos por ele em sua ânsia de conseguir o sonho eterno.

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