quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ao lado estranho

Como um gigante sentado
De cabeça diminuta
A onde pouca certeza se adentra
Mas de peito grande e aberto
Com coração enorme
Guardador de grandes mistérios

Entretanto;
Não é sabido que os gigantes
De tão longe vivem
Que aqui não poderiam jamais

Disso sabido, devo agora crer
Não poder ser mais gigante o meu ver
Mas seria algo estranho
Não o sendo pela aparência
De tão humana é desumana

Braços finos e rígidos
Compridos como varetas de bambu
Pernas como de pau e encolhidas
Se acomoda como pode
Entre a cama e a caixa de conhecimento
Sua pequena cabeça com olhos grandes
Tem um belo processador
Mas é no peito que armazena tudo
Tudo que lhe tem valor

A pele cinzenta não esconde a fragilidade
O movimento com a cabeça assustada
O músculo cardíaco acelerado
Quase pula para fora da caixa

Me pego sonhando acordado
Com seres do meu ser
E estranhos até a mim
Devem ser as garras do sono
Que tenta levar de mim
A rala tranquilidade do não-dormir
Devo assim entender
Que a ele devo me render

Mas para não perder, vou dizer
Que só agora hei de ter
Aquilo tudo de tanto querer.

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