sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Já dizia Raul |

Realmente não consigo me encaixar no comum;
Não consigo ignorar o absurdo a minha volta;
Vejo pessoas perdendo a paz e a tranquilidade;
E inúmeras coisas que deveriam ser sagradas;
Por motivos dos mais banais aos mais babacas;

Não compreendo como ninguém parece ver;
Ou se veem, acho que preferem virar o rosto;
Esse absurdo que é o sistema em que vivemos;
E com as devidas exceções, a maioria parece;
Viver em outro mundo que não o real;

É como se estivéssemos em queda livre;
E por tão distante do chão, ninguém vê;
Que estamos indo direto ao fim;
Mas os poucos que veem o fim se aproximar;
Tentam em vão alertar seus companheiros;

Não é que não me preocupe;
Mas não permito que nada abaixo do absurdo;
Tire minha paz
Roube minha felicidade
Usurpe a tranquilidade do depois
Que me tire o sono ou impeça meu sorriso;

As pessoas parecem ter chegado num ponto;
Em que não conseguem ver nada;
Além do que passa na TV e nos jornais;
Elas realmente acreditam nessa mentira;
De que a vida é assim mesmo e não tem jeito;
É preciso passar por cima dos outro;
Ser o mais "esperto" de todos;
Ou ainda no absurdo de que é preciso aceitar;
E viver dessa forma, para depois começar a mudar;
Mas eles não percebem que isso é uma ilusão;
Pois uma vez dentro, é preciso se adequar;
Para poder sobreviver;
Mas a sua sobrevivência, é a morte de milhares;
É a miséria de milhões, e a perpetuação de tudo;
E enquanto isso, prevalece a velha e nova:

"E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social" - Ouro de Tolo, Raul Seixas.

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