quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Inconto |

Meu presente é magnífico
O passado glorioso
E o futuro me parece tão
Vago.

É chato dizer
Que às vezes não sei o que escrever
Mas ouço uma canção
Que me toca o sentimento
Num relance eu logo penso
E dichavo o pensamento.

Como diria meu talismã
Vou remando contra a maré
Sou ninguém, mas com desdém
Enfrento o vento e a tempestade
Para voltar para a cidade
Só pra te ver e reviver.

Meu mundo é hoje
Foi ontem, mas amanhã
Amanhã
Eu dou risada!

O amanhã não existe
Nem nunca existiu
Só criaram o amanhã
Pra te perder o pavio.

Tanta coisa errada hoje
E você só sabe pensar em algo vazio
Deveria se preocupar
Ao menos com o seu existir
Isso sim se puder
Só hoje não mentir.

Canto danço não canso
Faço biscoitos todos
Asso e comos
Vendo
Os

Termino num desencanto
A mente trabalhando
E a água esquentando
Assim vou finalizando
Outro inacabado inconto.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vamos |

Vamos cantar e amar;
Intensamente
Mas não só a gente;

Vamos pensar e falar;
Serenamente
Mas com toda a gente;

Vamos discutir e ouvir;
Intensamente
Mas não nessa ordem exatamente;

Vamos caminhar e pular;
Independentemente
Mas sem deixar a nossa gente;

Vamos ler e ver;
Elevandomente
Mas sem deixar de explorar a mente;

Vamos ser e escrever;
Impreterivelmente
Mas sempre consciente;

De que o depois é incerto
Como o agora é passado;
E um dia concerto
Todo o resto deixado;

domingo, 19 de setembro de 2010

Adorável medo |

Tenho muitos medos;
Mas alguns realmente me assustam;
Porque eles vêm de repente;
E me abalam como nenhum outro.

São sentimentos de duvida;
Mas de uma duvida terrível;
Como a de estar sendo enganado por todos;
Achando que aqueles em quem confio;
Estão a me falar uma coisa;
E quando viro falam outra.

Sei que isso acontece às vezes;
Mas o medo de a todo o momento, me apavora;
Entretanto isso também é lindo de certa forma;
Porque me faz ser verdadeiro;
Uma vez que não desejo que meus medos;
Se tornem realidade para ninguém.

Aprendi e me ensinei;
Que não devemos fazer para o próximo;
Aquilo que não desejamos para nós mesmos;
E que é preciso mudar a si mesmo;
Para mudar o mundo a nossa volta.

Por isso sou verdadeiro comigo e com todos;
Pois assim desejo que seja comigo;
Mas por mais que não seja essa a realidade;
Vou ser e viver dessa forma;
Pois só assim eu poderei esperar;
Que outros façam por mim;
O mesmo que faço por eles.

sábado, 18 de setembro de 2010

Imaginem |

Imaginem uma civilização;
Que desconheça a nossa;
Uma geração futura;
Mas que não saiba o que de fato aconteceu;
O que nós fizemos;
Não saibam o porquê de sua situação;

O que aconteceria se descobrissem?

Se encontrassem nossos rastros;
Vissem os horrores e absurdos;
Ou ainda se descobrissem que não fizemos nada;
Se soubessem que sabíamos o que aconteceria;
Mas mesmo assim nós continuamos;
Mesmo cientes das consequências;
E também das alternativas;

Será que nos odiariam?

Será que derrubariam nossas construções;
Limpariam nosso lixo;
Sumiriam com nossos vestígios;
E apagariam para sempre nossa existência;

Ou preservariam como lembrança?

Nos colocariam em pedestais;
Amontoariam nossos lixos e memórias;
Reconstituiriam nossos hábitos;
Estampariam os absurdos todos;

Para que ninguém nunca se esqueça;
De quem foram e o que fizeram;
Aqueles que viveram antes;
E os deixaram com o que tem;
Obrigando-os a ser quem são.

Mas imaginem...
Talvez... talvez...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Já dizia Raul |

Realmente não consigo me encaixar no comum;
Não consigo ignorar o absurdo a minha volta;
Vejo pessoas perdendo a paz e a tranquilidade;
E inúmeras coisas que deveriam ser sagradas;
Por motivos dos mais banais aos mais babacas;

Não compreendo como ninguém parece ver;
Ou se veem, acho que preferem virar o rosto;
Esse absurdo que é o sistema em que vivemos;
E com as devidas exceções, a maioria parece;
Viver em outro mundo que não o real;

É como se estivéssemos em queda livre;
E por tão distante do chão, ninguém vê;
Que estamos indo direto ao fim;
Mas os poucos que veem o fim se aproximar;
Tentam em vão alertar seus companheiros;

Não é que não me preocupe;
Mas não permito que nada abaixo do absurdo;
Tire minha paz
Roube minha felicidade
Usurpe a tranquilidade do depois
Que me tire o sono ou impeça meu sorriso;

As pessoas parecem ter chegado num ponto;
Em que não conseguem ver nada;
Além do que passa na TV e nos jornais;
Elas realmente acreditam nessa mentira;
De que a vida é assim mesmo e não tem jeito;
É preciso passar por cima dos outro;
Ser o mais "esperto" de todos;
Ou ainda no absurdo de que é preciso aceitar;
E viver dessa forma, para depois começar a mudar;
Mas eles não percebem que isso é uma ilusão;
Pois uma vez dentro, é preciso se adequar;
Para poder sobreviver;
Mas a sua sobrevivência, é a morte de milhares;
É a miséria de milhões, e a perpetuação de tudo;
E enquanto isso, prevalece a velha e nova:

"E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social" - Ouro de Tolo, Raul Seixas.

De que adianta o pensar |

Eu acho engraçado;
Quando as pessoas a minha volta se desesperam;
Quando se afligem por pequenas causas;
Quando correm desesperadas contra o relógio;
Quando de tanto blábláblá não sabem o que falar;
Nessas e noutras horas eu sorrio e vos digo:
"Relaxa, que no final da tudo certo!"

Tem gente que até ouve... mas ouvir não é escutar;
Tem também aqueles que falam bonito;
Mas na hora "h" parece que não sabem aplicar;
Não compreendo o porquê de tanto blábláblá;
Se não viver aquilo que tanto pensa e fala;
Então de que adianta o pensar?

Tudo o que fazemos conta;
Cada atitude firmada é como uma pedra atirada;
Jamais irá voltar, mas muito pode desencadear;
Toda ação todo pensamento todo movimento.

Não adianta esperar o mundo girar;
Porque se você não começar a andar;
Nunca sairá do lugar.

Então vamos parar de reclamar;
Vamos começar a pensar;
A agir
A ouvir
A não fingir
A resistir
A ser sincero com o seu verdadeiro ser;
Porque só assim é possível mudar.

"Ninguém é mais escravo do que aquele que pensa ser livre, sem que, de fato, o seja" - Goethe.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nostalgia de um futuro |

Obs.: Valeu Henrique! (;



Tudo que toquei;
Tanto que pensei;
Todas que amei;
Por onde eu já passei;
Como é que vai ficar?

Por onde devem estar;
Todos com quem eu me compartilhei;
Como devem estar;
Todos os lugares que passei;
Com quem devem estar;
Todas as mulheres que amei;
E por quanto vai durar;
A nostalgia de um futuro;
Que ainda há de chegar.

Amores de verão;
E ideias sem compreensão;
São como gotas de chuva;
Num oceano de ilusão.

Conhecidos parecidos;
Coincidências enganosas;
Nossos futuros desconhecidos;
Em melodias tediosas.

"Cada um fez sua vida, de forma diferente";
As vezes me pergunto;
Por onde anda toda essa gente?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Me animo assim |

Ânimo! Ânimo!
Quero cantar odes de amor!
Dançar uma valsa com sabor!

Quero sua mão segurar;
Te levar comigo e lhe mostrar;
O mundo todo e muito mais!

Vou pular numa poça d'água;
Correr pelado sem charme;
Gritar até ficar mudo;
Só pra incomodar um surdo!

Vou ler todos os livros;
Fazer uma revolução;
Mudar todo o meu mundo;
E tudo isso sem um tostão!

Quero viver uma eternidade;
Mas vivo, só o suficiente;
Para em todo mundo plantar;
Essa doce e faminta semente;
Que me fará viver para sempre!

Dos infinitos caminhos;
Quais pegarão em meio a tanta fumaça;
Aqueles que comigo estão, a onde estarão;
No presente futuro do passado do amanhã;
Tantos tempos em tão pouco tempo!

Eu começo a sorrir e gargalhar;
Quando penso nas inúmeras possibilidades;
Que nos aguardam na beleza da dúvida;
E a minha vida, é cheia dela!

Mas antes de viver o futuro;
Quero amar o agora;
Quero brindar nossa glória!

domingo, 12 de setembro de 2010

Quero me ir |

Quero sair, quero andar;
Pelo Mundo inteiro passear;
Tanto para ver, tanto à aprender;
Sem medo de parar, e no profundo tudo amar;

Quero conhecer todos os povos;
Me misturar em todo lugar;
E com todas as tribos, um pouco compartilhar;
Quero ver, quero ouvir;
A beleza de todos os cantos;
E os cantos a todos os santos;

Tantas lágrimas derramadas;
Ninguém tem tempo para elas;
Quero saber todos os detalhes;
Pelo que sofrem meus irmãos;
E pensando eu vou buscando;
Para tudo solução;

Se ainda não achei;
É porque ao fim eu não cheguei;
E se a ele me levarem;
Minhas ideias viverão;
Porque dentro daqueles que pensam;
Bate forte meu coração;

A cada ideia errada;
É um passo à solução;
Sem mascara e alegoria;
Nunca perco a minha alegria;
Nem em tempos de tempestade;
Pois sei com simplicidade;
Que dela, nasce a flor da felicidade.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vou vivendo, vou cantando |

Percebo agora isso;
Tão claro e tão nítido;
"Mas que imenso desperdiço";
Era tolo e não sabia;
Vivia eterna agonia!

Hoje sei que não vale;
E que nunca valeu;
Pois todo esse sentimento;
Ninguém nunca mereceu!

Vou vivendo, vou cantando;
Dançando vou olhando;
E do tempo recordando;
Pro futuro eu ir trilhando;

Digo adeus e vou-me indo;
A vida é bela, e só com ela;
Meu caminho vou abrindo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fim de tarde |

Grilo cantante, e o humano errante;
Flor de laranjeira, manga goiaba e pêra;
Menino vagando, e o gato caçando;
Declara-te a fala, e num instante se cala;
Sentado num banco, sem nenhum espanto;
A morte do dia para enorme alegria;
O cachorro que corre, o cachorro que late;
Tem aquele dorme, e aquele que parte;
A vida guardada, é em breve jorrada;
Tudo que vejo, tanto que penso;
Mas paro um minuto e na amada concentro;
...
E volta-te tudo, como no Mundo;
Em paz um minuto para com ela eu amar;
Mas logo me posto nas ideias pensar;
Assim eu termino, com a promessa de um hino;
Mas ainda não sei, pois não me prendei...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Conflito |

Não consigo me entender;
Hora estou bradando e brindando à felicidade;
Saio a sorrir e dançar com todos que por eu passar;
Escrevo poesias sobre o amor;
E canto calado odes ao eu pensador;

Mas noutras horas não demora;
Estou eu a pensar;
Sobre o que vou fazer e aonde pretendo chegar;
"Se a tantos caminhos na vida, e pouquíssima esperança no ar";
Já dizia o sábio, o que me deixa intrigado;
Por onde devo seguir, de que forma devo agir;

Minha mente entra em conflito;
Por vezes quase desisto;
Mas minha vontade é forte;
E se é preciso luto até a morte;
Antes morto por meu ideal;
Do que viver uma vida banal.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pequeno poema |

O lápis perdido, na boca escondido;

A música tocada, na cabeça guardada;

O poema forjado, sem luz lapidado;

O mato passado, que vai sendo queimado;

O trilho do trem, que vai e que vem;

A luz das cidades, escurece pensares;

Sentimentos passados, jamais perdoados;

O ódio contido, é no verso fundido;

Assim eu transminto, na palavra o que sinto;

Me sentindo um bandido, por um porco fingido;

Já cansado me deito, para num sonho deleito;

E contigo amar, pois num sonho hei de estar.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pensar |

Por pensar, sorri e dancei;
Sorri, pois pensei;
E por poder pensar eu dancei;

Por dançar, sonhei e amei;
Sonhei, pois cansei e deitei;
E por deitar, sonhei que te amei;

Por amar, eu sorri e pensei;
Sorri, pois te amei;
E por te amar eu pensei;

E por pensar outra vez, eu feliz me entreguei;
Entreguei-me ao pensar;
Entreguei-me ao amar;
Entreguei-me ao sonhar;
Entreguei-me ao deitar;
Entreguei-me ao cansar;
Entreguei-me ao dançar;
Entreguei-me ao sorrir;
E por tanto entregar-me, de novo pensei;
E por tanto pensar, feliz eu serei!