Tamborilou
com a ponta dos dedos na mesa. Grunhiu algo como se falasse de si para si os
lances que lhe apareciam às vistas. Fez o movimento, enquanto levava a outra
mão ao queixo.
O outro, não obstante o falatório e a pirraça do primeiro, não perdia o foco e tentava o mais possível manter-se concentrado. Olhou por cima dos óculos para o adversário e sentiu um leve aborrecimento. Via um sujeito baixo e gorducho, vestindo um calção e uma camiseta simples, de óculos, barba e uma grenha farta, com um pequeno rabo de cavalo na nuca.
O outro, não obstante o falatório e a pirraça do primeiro, não perdia o foco e tentava o mais possível manter-se concentrado. Olhou por cima dos óculos para o adversário e sentiu um leve aborrecimento. Via um sujeito baixo e gorducho, vestindo um calção e uma camiseta simples, de óculos, barba e uma grenha farta, com um pequeno rabo de cavalo na nuca.
Duas
jogadas e o primeiro alarga a vantagem, com um leve sorriso lhe assomando à
face e sem deixar de fazer um comentário ou dois. Deixando o outro ainda mais
inflamado. Este, porém, à medida que o enfado crescia, crescia também a sua
força de vontade em não deixar transparecer num involuntário movimento corporal
ou no semblante, o que realmente lhe passava no íntimo.
Algumas
jogadas à frente, com a vitória quase certa para o primeiro. O outro, que já se
fartara dos apontamentos, das risadas estridentes e do próprio companheiro, comentou
numa dessas, que estava com o jogo perdido.
“E agora é que está perdido?!” repontou o primeiro com sarcasmo.
A
essas palavras, o outro quis morder-se de raiva, mas à medida, conteve-se e
focando-se no jogo, lembrou-se de que estava acabado e percebendo que podia
valer-se disto para sair dali, derrubou o rei e agradeceu a partida, sem apertos de mãos nem contato visual. Levantou-se, buscou um copo d’água e em silêncio
retirou-se para ruminar tudo.
“E agora é que está perdido?!” repontou o primeiro com sarcasmo.