Se você visse uma pessoa cedendo seu lugar no ônibus, um acento não preferencial, a uma senhora ou a uma gestante, enfim, provavelmente a olharia com bons olhos e pensaria consigo mesmo que aquela pessoa é uma “boa pessoa”. Mas se visse essa mesma pessoa, numa outra hipótese, jogando um pacote de salgadinho na rua, uma latinha pela janela do carro, ou qualquer outra ação que ao seu ver seja
completamente errada, essa pessoa que comete a ação torna-se uma “pessoa má” ou se preferir: um(a) “filho(a) da p***”. Então ao que parece depende do seu ponto de vista, ou do que você vê. Se presenciar uma boa ação, então é uma boa pessoa, mas se o que vê for o contrario, então é uma má pessoa.Mas ai nós temos um problema. Seguindo essa linha de pensamento, nós classificamos alguém pela ação que ela toma num determinado momento, mas ao fazer isso, nós o resumimos a aquilo que presenciamos no momento. E não se pode resumir um ser humano a um momento, uma ação, um gesto, nada.
De uma forma ou de outra nós continuamos a tachar as pessoas, e esse é o problema. Dizemos que fulano é uma pessoa horrível, ou que ciclano é um marginal, um delinquente, uma má influencia, como se tudo isso fosse realmente culpa dele, “ele é o errado”, “ele é um bandido”, “ele é um filho da p***”. Será que “eu” sou tão “bom” para te chamar de “mal”? Mas será ainda que realmente existe “bom e mal”? Eu acredito que não. Não existem pessoas boas ou pessoas más, todos nós somos bons e mal, todos nós fazemos coisas boas e coisas más, todos nós somos santos e “filhos da p***”.
E infelizmente, quase todos continuam a tachar os outros, continuam reclamando do mundo e da vida, mas não tomam atitudes para mudar nada. Nem a mais básica atitude, “a de mudar a si mesmo para mudar o mundo”. É como querer acabar com o preconceito, e quando aparece um diferente você grita: “EMO!”, “VIADO!”, ou qualquer coisa assim, mesmo que seja um pensamento baixo, se você não o reprime e acaba com ele, nunca haverá um mundo sem preconceito, e você será apenas mais um hipócrita.
Pare agora, e pense em si mesmo. Pense em quem você é; no que acredita; o que você defende? Ou quer defender. E a partir desse pensamento não aceite mais o contrario de si mesmo. Se você for contra o preconceito, lute contra seus próprios preconceitos; se é contra a homofobia, acabe com a sua primeiro; se é contra o consumismo, pare de comprar desnecessariamente; se luta pelo meio ambiente, então seja consciente, não compre alienadamente, verifique a origem e o fabricante, enfim, tome realmente atitudes pelo que acredita, do contrario nunca irá passar de um sonho.
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