terça-feira, 20 de julho de 2010

Apostando |

Em uma certa fase da minha vida comecei a perceber que a vida dos outros é muito mais interessante do que a minha própria. Estava sentada em um ônibus e vi um senhor entrar, calmo, com cabelos brancos, não representando o estresse, e sim a experiência. Paga o cobrador e senta, olha para a janela e assim fica, até o destino. Estaria ele satisfeito com as suas conquistas? Ou será que ele guarda muitas mágoas? De repente comecei a pensar em como eu estava conduzindo a minha vida. Será que perdi muito tempo lamentando minhas perdas ao invés de lutar por dias melhores? Será que lutei tanto por dias melhores que esqueci de dar valor às pequenas coisas, aos pequenos prazeres da vida? Lamento por ter chorado em casa por culpa daquele menino que na quinta série me deu um apelido ridículo que fez todos rirem de mim por um mês. Lamento por ter acreditado que aquela amizade com aquela amiga perfeita não acabaria por uma simples separação. Lamento por ter acreditado que amar só ele durante tanto tempo bastava. Lamento ter passado tantas horas me maquiando para mais tarde borrar com lágrimas. Mas, lamentações não são mais o suficiente, essas ficam para a história, de agora em diante vou falar sobre apostas e vontades. Aposto que daqui em diante, tudo o que for fazer vão ser por vontade e não por pressão. Aposto em uma vida com menos lamentações e mágoas, já não há mais espaços para cicatrizes, qual a sua aposta?

By: Rê (: - http://mentedesejavel.blogspot.com/

domingo, 11 de julho de 2010

É preciso |

Mais uma vez estou inconformado com nossa civilização. Nossa sociedade, nossas pessoas, nós de uma forma geral estamos cada vez mais ignorantes, mais alienados, mais passivos, mais conformados, mais acomodados. Só que ninguém, ou quase ninguém, parece se importar com isso, pra dizer a verdade, posso contar em uma mão as pessoas que conheço que ao menos pensam e querem fazer algo a respeito.

As crianças hoje crescem na frente da TV, do vídeo-game, do computador, do celular, enfim, o mundo delas é aquilo que ela vê na tela de um aparelho eletrônico, que é exatamente aquilo que a mídia quer que você veja. A vida de um jovem hoje, se resume a “vida na escola”, a “vida dentro de casa/apartamento”, a “vida virtual”, e quando ele sai com os amigos no final de semana. Quase ninguém mais se importa com os problemas da sociedade, ninguém quer falar de política, ninguém quer saber do que acontece na outra cidade, no outro estado, na capital do seu próprio país, e muito menos no que acontece ou deixa de acontecer no outro lado do mundo. Mas se você oferecer uma viajem com tudo pago para Disney, para Londres, Paris, etc. quase todas as pessoas que conheço aceitariam na hora. Isso é causado pela mídia, que aliena completamente a pessoa da realidade, esfumaçando sua visão para que não veja ou pense nos reais problemas da sociedade, fazendo-o crer que está tudo bem e porque não se divertir em um lugar fantástico como a Disney World, por exemplo?

Basta que você ligue sua TV para ver o que estou dizendo. Incontáveis seriados, com uma temporada atrás da outra, e reprise diversas vezes na semana; Inúmeros reality shows, um mais banal e inútil que o outro; Diversas novelas, tão inúteis e banais quando os outros dois primeiros; Desenhos animados que nada tem à acrescentar a mente das crianças que os assistem além de banalidade, violência, e a falsa ilusão de que um herói sempre irá salvar a humanidade de sua própria desgraça. Além de outros programas de todo tipo, que pouco tem à acrescentar a nossas vidas, mas com sucesso desviam nossa atenção para que não olhemos para os problemas a nossa volta.

É duro pensar que as coisas não vão mudar de uma hora pra outra, que as pessoas não mudam seu modo de pensar e suas vidas a custo de nada. Pior ainda é pensar em pessoas que realmente esperam que as coisas mudem por uma “vontade divina”, que um ser onipotente vai resolver todos os problemas ou então acabar com tudo. O ser humano é a fonte de seus próprios problemas, é o criador do sistema que o escraviza e que será seu algoz. Portanto cabe a nós mesmos resolver o problema que criamos, e acredite, a resposta não virá da sua TV, não virá dos governos e corporações, e também não virá com um super-herói, seja um do povo ou um com um escudo com estrelas.

O caminho, acredito eu, para um futuro melhor, tem que vir do povo, pelo povo e para o povo. Mas um povo consciente, critico, que não aceite pão, casa e novela à noite como solução para os problemas. É preciso pessoas que se revoltem com cada injustiça e absurdo que ocorra em qualquer lugar do mundo. Pessoas menos acomodadas e conformadas com suas vidas medíocres. Pessoas que não tenham medo de enfrentar os problemas a sua volta, que não tenham medo do desconhecido. Pessoas que aceitem o diferente, pessoas sem preconceitos. Pessoas que estejam dispostas a se levantar e lutar pelos seus direitos, pela sua liberdade, pelo que acreditam, e contra qualquer forma de opressão que se faça contra outro ser. E mais do que isso, ou para isso, é preciso pessoas que pensem, que leiam, que debatam ideias, é preciso pessoas com diferentes ideias, para conseguirmos um futuro melhor.

sábado, 10 de julho de 2010

Crash! |

Bom e mal... dois conceitos engraçados, e que podem significar muitas coisas. Algumas vezes, nós os usamos para categorizar pessoas que vemos ou encontramos no nosso dia. Como hoje, ao assistir o filme “Crash” com meus familiares, e por vezes meus parentes tachavam personagens de “bom”, “bonzinho”, ou então diziam algo assim: “Mas que filho da p***”, ou qualquer outra coisa que o indique como “mal”. Mas quem pode dizer quem é bom e quem é mal? Mais ainda, o que é ser uma pessoa boa? Ou, que coisas nos levam a classificar alguém como bom, ou mal?

Se você visse uma pessoa cedendo seu lugar no ônibus, um acento não preferencial, a uma senhora ou a uma gestante, enfim, provavelmente a olharia com bons olhos e pensaria consigo mesmo que aquela pessoa é uma “boa pessoa”. Mas se visse essa mesma pessoa, numa outra hipótese, jogando um pacote de salgadinho na rua, uma latinha pela janela do carro, ou qualquer outra ação que ao seu ver seja completamente errada, essa pessoa que comete a ação torna-se uma “pessoa má” ou se preferir: um(a) “filho(a) da p***”. Então ao que parece depende do seu ponto de vista, ou do que você vê. Se presenciar uma boa ação, então é uma boa pessoa, mas se o que vê for o contrario, então é uma má pessoa.

Mas ai nós temos um problema. Seguindo essa linha de pensamento, nós classificamos alguém pela ação que ela toma num determinado momento, mas ao fazer isso, nós o resumimos a aquilo que presenciamos no momento. E não se pode resumir um ser humano a um momento, uma ação, um gesto, nada.

De uma forma ou de outra nós continuamos a tachar as pessoas, e esse é o problema. Dizemos que fulano é uma pessoa horrível, ou que ciclano é um marginal, um delinquente, uma má influencia, como se tudo isso fosse realmente culpa dele, “ele é o errado”, “ele é um bandido”, “ele é um filho da p***”. Será que “eu” sou tão “bom” para te chamar de “mal”? Mas será ainda que realmente existe “bom e mal”? Eu acredito que não. Não existem pessoas boas ou pessoas más, todos nós somos bons e mal, todos nós fazemos coisas boas e coisas más, todos nós somos santos e “filhos da p***”.

E infelizmente, quase todos continuam a tachar os outros, continuam reclamando do mundo e da vida, mas não tomam atitudes para mudar nada. Nem a mais básica atitude, “a de mudar a si mesmo para mudar o mundo”. É como querer acabar com o preconceito, e quando aparece um diferente você grita: “EMO!”, “VIADO!”, ou qualquer coisa assim, mesmo que seja um pensamento baixo, se você não o reprime e acaba com ele, nunca haverá um mundo sem preconceito, e você será apenas mais um hipócrita.

Pare agora, e pense em si mesmo. Pense em quem você é; no que acredita; o que você defende? Ou quer defender. E a partir desse pensamento não aceite mais o contrario de si mesmo. Se você for contra o preconceito, lute contra seus próprios preconceitos; se é contra a homofobia, acabe com a sua primeiro; se é contra o consumismo, pare de comprar desnecessariamente; se luta pelo meio ambiente, então seja consciente, não compre alienadamente, verifique a origem e o fabricante, enfim, tome realmente atitudes pelo que acredita, do contrario nunca irá passar de um sonho.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Just think |

É interessante quando se começa a pensar num aspecto da evolução do homem, que é a divisão. Divisão entre seres da mesma raça, da mesma espécie, por razões criadas pela mesma.

Então comecemos a pensar. Uma raça com seres semelhantes cria motivos que os dividem e os corrompe. Motivos estes que evoluem com as tecnologias criadas pela espécie. Já de início eles se dividem por razões naturais, a de mais ou de menos pigmentação da pele. Alguns são mais brancos, outros mais negros, e isso serviu como o ponta-pé inicial desse processo de separação.

Partindo desse ponto, os homens então começaram a se dividir em grupos étnicos como brancos, negros, amarelos, pardos, mameluco, etc. Um deles então decidia que seu grupo étnico era superior ao outro, e então tinha-se início um processo de escravização, opressão, e extermínio do grupo inferior. Pode-se notar isso até nos tempos modernos, como por exemplo, os índios e negros na colonização das Américas.

Conforme a civilização evolui, crenças e religiões começam a surgir, e ai está outro ponto de divisão entre semelhantes. Cada região aonde se encontra seres dessa espécie desenvolve uma crença/religião diferente, como por exemplo, temos o catolicismo, hinduísmo, islamismo, budismo, etc. E somado ao primeiro motivo, a pigmentação da pele, é mais uma fonte de separação, opressão, escravização e extermínio. Podemos citar como exemplo da história moderna, o Holocausto e as Cruzadas.

Um terceiro motivo de divisão criado pelo homem, e muito forte nos dias atuais, tem origem em uma característica da espécie, que é a falta de pêlos suficientes, ou uma camada de pele/couro, ou uma reserva de gordura suficiente para protegê-lo das intempéries da natureza. Assim, ele necessita de algo que o proteja, e tem-se início o processo de utilização de peles, couros e tecidos sobre a pele humana, que serviu além de proteção, como motivo para mais uma vez separar e excluir. Mas dessa vez, esse processo de exclusão evoluiu e se adaptou as novas tecnologias criadas pela espécie. Nos dias atuais, temos um número infindável de acessórios, como blusas, camisetas, jaquetas, moletons, cuecas, calcinhas, sungas, maios, biquínis, calças, bermudas, shorts, meias, calçados, munhequeiras, bandanas, gorros, chapéus, bonés, faixas, viseiras, óculos, brincos, colares, pulseiras, anéis, e mais uma porção gigantesca de coisas. E cada uma dessas coisas, são motivos de divisão. Se antes nos dividíamos por acessórios de matérias diferentes, como por exemplo roupas de determinado material de qualidade superior, como um tecido de seda, hoje além disso temos outra razão para tal, as marcas.

Então, hoje você pode ser de uma cor diferente e ter uma crença diferente, a questão agora são os acessórios que você usa. Se você calça um tênis de uma determinada marca, mesmo que ele tenha sido fabricado com técnicas semelhantes, em locais semelhantes, com materiais iguais, por pessoas semelhantes, se ele estiver com o logo de uma marca dita superior, então você, que usa outro, é inferior. E isso pode ser visto em muitos locais da sociedade, por exemplo, as escolas. É visível também em seriados voltados para adolescentes, que de maneira direta ou subjetiva influencia a mente dessa juventude, sustentando essa divisão, esse preconceito.

Mas na sociedade alienada em que estamos, a maioria esmagadora da população simplesmente não pensa, ou até pensa, no que vai fazer de faculdade, no próximo capitulo do seriado/novela, no que tem pra fazer agora, nas provas do colégio/faculdade, no trabalho, em como queria estar dormindo ou em casa, etc. Mas poucos são os que param pra pensar em que rumo anda a sociedade, ou em como a sociedade de uma forma geral é ignorante e alienada, em como são vítimas de sua ignorância e da alienação causada pelo sistema em que vivemos, poucos pensam em como está sua saúde mental, poucos pensam naquilo que não vemos através da televisão e dos jornais, sejam impressos, digitais ou televisivos, pouquíssimos pensam em o que fazer, e menor ainda é o número de pessoas que tomam alguma ação, mas grande e de todo tipo são as opressões e adversidades que estes poucos tem de enfrentar.

Para concluir, espero que ao terminar de ler esse texto comece a pensar mais, em tudo, e não apenas nas futilidades que cercam sua vida e esfumaçam sua visão. Comece desligando sua TV, ela não vai te abrir a mente e nem te tornar uma pessoa melhor. Torne-se uma pessoa crítica, não tome como verdade tudo o que ver, ouvir e ler (e isso também inclui esse texto) pense sobre, reflita e conclua, mas esteja sempre com a mente aberta a novas ideias, não crie vínculos com elas, pois nenhuma verdade é absoluta. Mas suspeito que poucos são os que terminaram de ler, e mais ainda aqueles que pensaram sobre o que leram.